Conheça a estepe patagônica, uma paisagem de cinema!

 

 

Este ambiente que está presente na maior parte da região da Patagônia, tão pouco conhecida pelos turistas brasileiros, é uma opção interessante para conhecer quando se vem a Bariloche. Parece que a estepe sempre foi o “patinho feio” do turismo na Patagônia e em Bariloche, pelo seu grande contraste natural com os bosques úmidos, as imponentes montanhas da cordilheira e os lagos cristalinos desta região.

Em minha opinião, a estepe não é nem mais bonita e nem menos que a região do bosque úmido (a mais conhecida pelos turistas), mas tem sua beleza e fascínios próprios.

 

Este meio natural tem com características um ambiente seco e desértico, com arbustos duros e espinhosos e formações rochosas de origem vulcânicas mais antigas que a Cordilheira dos Andes, por isto elas são mais baixas e arredondadas. Estes morros também tem sofrido uma grande erosão dos fortes ventos e há milhares de anos,  dos rios. Por isto também possuem formas interessantíssimas, como podemos observar no “Vale Encantado”, encontrado nos arredores de Bariloche. O clima é o fator determinante para a formação da estepe, as chuvas e nevadas que vem do oeste quase não chegam neste setor, caem sobre a Cordilheira e setores que estão bem pegados à mesma, formando os bosques úmidos e a Selva Valdiviana. Tem que ter sensibilidade para entender toda a beleza deste ambiente, confesso que eu quando cheguei a Bariloche não dava muita “bola”, mas depois me apaixonei!  A única maneira para desenvolver esta admiração é tendo contato e conhecendo de perto a estepe.

Predominam neste ambiente duas plantas conhecidas como “coirón” e o “neneo” e mais algumas centenas de espécies ”guerreiras”, por terem se adaptado a este ambiente tão “duro”. Com relação à fauna, podemos encontrar raposas, pumas, “choique”(parente do avestruz), roedores, uma grande quantidade de aves, como corujas, águias, gaviões e flamingos, lebres e muitos outros. Mas o animal símbolo da estepe se chama “Guanaco”, uma espécie de Camelídeos. Os Guanacos podem passar longos períodos sem comer e possuem um sistema para regular água no corpo e reciclar o nitrogênio das plantas, estas foram adaptações que sofreram para viver em ambientes áridos. Adoram comer os duros “coirones”, já que possuem dentes com muito esmalte, adaptados para mastigar este tipo de planta. Este animal galopa muito bem e andam em manadas, quando se dirige pelas rotas da estepe, tem que tem muito cuidado para não atropelar algum que sai galopando rápido e cruza a rota de repente. Por outro lado, é muito bonito e uma sorte grande poder ver este animal pelo caminho. Os indígenas que habitavam esta região da Patagônia caçavam os Guanacos para comer sua carne e principalmente para usar sua pele para elaborar as suas vestimentas, e assim se protegiam do grande frio.

Na estepe, do norte ao sul da Patagônia, estão as grandes estâncias de criação de ovelhas ou cavalos, das quais são proprietários grandes latifundiários estrangeiros que são grandes empresas multinacionais, como a Benetton.  Também são grande donos de terra alguns conhecidos milionários, como o Senhor Ted Turner, fundador da CNN e que foi casado com a atriz Jodie Foster, que também ficou com o seu “pedacinho” de terra na Patagônia, onde formou um haras. A história de como surgiram estes lugares, está rodeada de conflitos entre homem branco e indígenas, enfim, é um tema para o próximo capítulo.

 

Hoje em dia, muitas estâncias estão abertas ao turismo, onde o visitante pode se integrar com os costumes e histórias destes lugares, se hospedando ou contratando alguma excursão. Aqui em Bariloche a Estância San Ramon oferece atividades para o turistas, como cavalgadas, caminhadas e gastronomia do campo.

 

E aí, ficou com vontade de dar uma voltinha pelo “deserto da Patagônia”? Abaixo vai um vídeo com fotos que eu tirei em uma das saídas quando eu estudava para guia:

 

Autor: Sabrina Poinho

Sabrina, autora e fundadora do Bariloche para Brasileiros, é barilochense e carioca de coração, mas mineira de nascimento. Se formou em Bariloche como guia regional da Patagônia, se tornando a primeira brasileira a ter este título. É louca com a gastronomia de Bariloche e só sendo louca por vôlei também para tentar manter a forma com tanta comida boa no friozinho patagônico. Está casada e mora em Bariloche há mais de 10 anos por culpa de um argentino que é físico atômico e irradiou o seu coração...

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