Mapuche: povo originário da Patagônia e sua contribuição à cultura de Bariloche

 

Os turistas quando chegam a Bariloche, escutam alguns nomes que não são de origem espanhola: Nahuel Huapi, Llao Llao, Limay, Coihue, etc. Exemplo: Mapuche= Mapu (terra) Che (gente), mapuche significa “gente da terra”.Já vamos saber alguns significados de outras palavras mais.

Estes nomes tem sua origem no mapudungum, idioma dos mapuche (não existe plural da palavra “mapuche”),que é um grupo indígena que habita a Patagônia desde tempos remotos e ainda hoje luta para manter viva sua cultura.

 

Antes da Patagônia ter seu território marcado e dividido entre Argentina e Chile, este povo originalmente habitava o Chile, incluindo a região da Araucania e a Ilha de Chiloé, por isto eram chamados pelos espanhóis de “Araucanos”. Por falar em espanhóis, nos transportamos às aulas de história, quando a professora nos contava que lá pelo século XVI, os espanhóis avançaram pela América e começaram a arrasar com diferentes civilizações, como os Incas, os Astecas, etc. Quando começaram os conflitos no Chile, o povo mapuche começou a lutar e a resistir bravamente aos espanhóis e como tática, iniciaram seu deslocamento para a parte leste da Cordilheira dos Andes (território argentino) e se estabeleceram em alguns setores para se fortalecer e defender seus novos territórios. Enquanto grandes civilizações foram caindo, o povo mapuche seguiu resistindo por mais de três séculos à invasão espanhola e até hoje mantém a sua cultura. Quando chegaram do lado argentino, encontraram outros povos, como os Tehuelches (gente do sul) e os Puelches (gente do leste).

 

 

Os mapuche (lembre-se, não existe plural de mapuche, não esqueci do”s”) viviam da agricultura e a partir do contato como o espanhol, já no território argentino, passaram a usar também o pastoreio e a criação de cavalos. Além disso, intercambiavam mercadorias com os espanhóis e com isto conseguiam prata, que usavam para fazer objetos e acúmulá-los, já que era sinal de riqueza. As mulheres mapuche se dedicavam à cerâmica e tecelagem e até hoje são especialistas nesta atividade. As famílias se agrupavam por um antepassado comum sanguíneo, formavam comunidades e viviam em “rucas”, que eram como casas feitas de palha.

 

No passado, no norte da Patagônia, existiram vários caciques mapuche importantes, que foram fortes líderes e comandavam grandes territórios. Podemos citar o Cacique Inakayal e o Cacique Sayhueque. Depois veio a “Conquista do deserto”(campanha militar para dominar o território da Patagônia e manter a soberania argentina perante o Chile) comandada pelo General Roca e aí foi quando aconteceu o grande massacre contra os indígenas que habitavam a Patagônia argentina no final do século XIX. Os Tehuelches foram praticamente exterminados, mas adivinhem qual resistiu novamente?

 

 Mudando de assunto, os mapuche se reúnem todos os anos para fazer um importante ritual para pedir aos seus deuses bem estar e paz para todos e para agradecer  o que a terra e a natureza entregaram ao homem.  Esta cerimônia religiosa que dura quatro dias se chama Nguillatun (fazer súplicas) e se realiza na época de colheita e durante a lua cheia.

 

 

Ainda hoje na Patagônia, existem problemas pela terra entre mapuche e grandes latifundiários, a empresa Benneton é uma das que está envolvida em vários conflitos territoriais com este povo. A relação com a terra é muito especial para os mapuche, não só porque é seu meio de sustento, mas toda sua espiritualidade e religião estão relacionadas à ela.

 

Hoje em dia existem várias comunidades mapuche, principalmente na Província de Neuquén, onde cada vez mais existe uma integração com o turismo, já que contam sua história e seu modo de vida. Este tipo de turismo cultural está cada vez mais se desenvolvendo e o turista pode adquirir uma grande aprendizagem ao ter contato com este povo, suas tradições e sabedoria, além de poder adquirir produtos originários como artesanatos e degustar pratos típicos.

 

Também encontramos comunidades mapuche em Rio Negro (onde está Bariloche), Chubut, em um setor de Buenos Aires e no Chile.

 

 

Como tinha prometido no início, abaixo está uma lista com alguns significados de palavras de origem mapuche que você poderá encontrar em Bariloche e arredores:

 

Bariloche(vuriloche)= gente que está atrás da montanha
Nahuel Huapi: Nahuel (tigre) huapi (ilha)= Ilha do tigre (tigre por se referir aos pumas ou porque os que lutaram nestas terras eram considerados “guerreiros e ferozes”)
Llao Llao (llau llau): Muitos fungos. Llao é fungo, mas quando a palavra é repetida pode significar grande quantidade. Além do conhecido e histórico Hotel Llao Llao que está em Bariloche, llao llao é um fungo redondo de cor amarelo-laranja que se desenvolve em uma árvore que se chama “coihue” (lugar de muita água) e em outra que se chama “ñire”(matorral), duas espécies nativas dos bosques da Patagônia.
Limay: rio cristalino ou águas transparentes. Limay é o nome de um importante rio que nasce no Lago Nahuel Huapi.
Cau cau: gaivota grande. Cau Cau é o nome de uma das empresas que realiza excursões lacustres em Bariloche.
Pire: neve
Hue: lugar. Pirehue: lugar de neve. Pirehue é o nome de uma pousada que está no Cerro Catedral.
Cura: pedra
Huemul (huenul): no alto. Huemul é o nome de uma espécie de veado nativo da Patagônia, de uma ilha que está no Lago Nahuel Huapi e de um hotel em Bariloche.
Melipal: quatro estrelas. Melipal é um bairro de Bariloche.
Millaqueo: pedra de fogo de ouro. Nome de uma montanha que está próxima ao Lago Nahuel Huapi.
Neuquén: rio muito correntoso ou que tem muita força. Neuquén é uma província do norte da Patagônia argentina.
Mari Mari: Bom dia!

 

Dica: Quando visitarem Bariloche, não deixem de ir ao Museu da Patagônia, localizado no Centro Cívico. Na parte de cima deste lugar, tem uma exposição que mostra a história de todos os povos originários da Patagônia.

 

 Mari Mari!

 

Autor: Sabrina Poinho

Sabrina, autora e fundadora do Bariloche para Brasileiros, é barilochense e carioca de coração, mas mineira de nascimento. Se formou em Bariloche como guia regional da Patagônia, se tornando a primeira brasileira a ter este título. É louca com a gastronomia de Bariloche e só sendo louca por vôlei também para tentar manter a forma com tanta comida boa no friozinho patagônico. Está casada e mora em Bariloche há mais de 10 anos por culpa de um argentino que é físico atômico e irradiou o seu coração...

Deixe uma resposta