Integrantes dos bosques de Bariloche: O coihue e o pica-pau

Nesta postagem vou comentar sobre duas espécies importantes dos bosques que podemos visitar em Bariloche. Uma se chama coihue (o nome ciéntífico é nothofagus dombeyi), que é uma árvore e a outra espécie é o pica- pau (Chamado carpinteiro aqui na Argentina), que obviamente é uma ave.

 

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O Coihue (palavra de origem indígena dos povos mapuches, que habitam a Patagônia, significa “lugar com muita água”) é uma árvore nativa dos bosques andinos  patagônicos, se encontra mais no setor norte desta região. A pesar do frio e da neve,  ela está sempre verde e tem como característica marcante sua altura, pode chegar aos 40 metros e possui folhas pequenas e verde escuras bem duras com bordes pontiagudos. Esta árvore no inverno fica com o peso da neve em cima sem que os galhos se quebrem, aliás, elas adoram estes ambientes úmidos, com muita chuva e neve, típico do oeste da Patagônia. O coihue tem frutos pequenos e se reproduz pela a ação dos ventos que espalham seus pólens por aí. É usada (controladamente) principalmente para a fabricação de móveis, aqui em Bariloche vemos muitas pousadas, restaurantes e casas que usam móveis de madeira de coihue.

 

Em Bariloche existem várias trilhas de fácil acesso onde podemos caminhar por dentro de bosques onde predominam os coihues. Na Vila Los Coihues (bairro que está um pouquinho afastado do centro), ao borde do lago Gutierrez, tem um bosque lindo de coihues onde se faz uma pequena caminhada até uma cascada que se chama ”Cascata de los Duendes”. Passeio Recomendável para toda a família.

Bosque de coihues (Villa Los Coihues)

 

Outra utilidade do coihue é servir de habitat para o pica-pau, que adora fazer sua casa nesta árvore. Quando caminhamos por um bosque de coihues, de preferência em silêncio, podemos escutar um “toc, toc, toc” do pica-pau, que deve estar construindo uma nova casa para construir seu ninho. Aqui na Patagônia podemos encontrar o “carpintero gigante” (nome  científico: Campephilus magellanicus) também conhecido como “carpintero negro” e “carpintero patagonico negro”, que pode chegar a medir uns 36 cm.

 

O pica-pau adora estar em casal, é muito provável de que quando você veja um deles quando caminhe pelo bosque, veja o outro também, significa que você está vendo o macho e a fêmea. Para diferenciar um do outro, basta olhar a cor da cabeça, se é vermelha, este é o macho e se a ave tem a cabeça preta com um pouquinho de vermelho ao redor do bico, é a fêmea, que também tem um “topetinho”. O resto do corpo de ambos é todo negro com um pouquinho de plumas brancas na parte dorsal. Às vezes, o canto do pica- pau parece uma gargalhada (lembram do desenho animado?) e quando a fêmea bota os ovos, tanto ela como o macho são responsáveis pela incubação e depois pelos cuidados dos filhotes.

 

Quando venham visitar Bariloche, quem sabe será possível observar a relação destas duas emblemáticas espécies dos bosques nativos, mas sempre tem que aguçar os sentidos e observar em silencio a natureza para poder disfrutar. É importante também quando estão caminhando pelo bosque, fazer o menor barulho possível, desta maneira você estará respeitando a tranquilidade da fauna que habita o lugar.

Autor: Sabrina Poinho

Sabrina, autora e fundadora do Bariloche para Brasileiros, é barilochense e carioca de coração, mas mineira de nascimento. Se formou em Bariloche como guia regional da Patagônia, se tornando a primeira brasileira a ter este título. É louca com a gastronomia de Bariloche e só sendo louca por vôlei também para tentar manter a forma com tanta comida boa no friozinho patagônico. Está casada e mora em Bariloche há mais de 10 anos por culpa de um argentino que é físico atômico e irradiou o seu coração...

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